sexta-feira, 1 de junho de 2012

Semana do poeta: Clarice Lispector - Parte V

Seu primeiro livro de contos, Laços de Família, é publicado no ano de 1960 pela editora Francisco Alves. Começa a assinar a coluna "Só para Mulheres", como "ghost-writer" da atriz Ilka Soares, no "Diário da Noite", a convite do jornalista Alberto Dines. Assina, com a Francisco Alves, novo contrato para a publicação de A Maça no Escuro. Torna-se amiga da escritora Nélida Piñon.

A Maça no Escuro é publicada em 1961 e recebe o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, por Laços de Família.

Em 1962, passa a assinar a coluna "Children's Corner", da seção "Sr. & Cia.", onde publica contos e crônicas. Visita, com os filhos, seu ex-marido que se encontra na Polônia. Recebe o prêmio Carmen Dolores Barbosa (oferecido pela senhora paulistana de mesmo nome), por A Maçã no Escuro, considerado o melhor livro do ano.

A convite, profere no XI Congresso Bienal do Instituto Internacional de Literatura Ibero-Americana, realizada em Austin - Texas, em 1963, conferência sobre o tema "Literatura de vanguarda no Brasil". Conhece Gregory Rabassa, mais tarde tradutor para o inglês de A Maça no Escuro. A Paixão, segundo G. H. é escrito em poucos meses, sendo entregue à Editora do Autor, de Sabino e Braga, para publicação. Compra um apartamento em construção no bairro do Leme.

No ano de 1964 publica o livro de contos A legião estrangeira e o romance A Paixão Segundo G. H., ambos pela Editora do Autor. Em dezembro, o juiz profere a sentença que poria fim ao processo de separação de Clarice e Maury.

Em maio de 1965, muda - se para o apartamento comprados em 1963. Sua obra passa a ser vista com outros olhos, pela crítica e pelo público leitor, após A Paixão Segundo G. H.  Resultador de uma seleta de trechos de seus livros, adaptados por Fauzi Arap, é encenada no Teatro Maison de France o espetáculo Perto do coração selvagem, com José Wilker, Glauce Rocha e outros. Dedica-se à educação dos filhos e com a saúde de Pedro, que apresenta um quadro de esquizofrenia, exigindo cuidados especiais. Apesar de traduzida para diversos idiomas e da republicação de diversos livros, a situação financeira de Clarice é muito difícil.

Na madrugada de 14 de setembro de 1966 a escritora dorme com um cigarro aceso, provocando um incêndio. Seu quarto ficou totalmente destruído. Com inúmeras queimaduras pelo corpo, passou três dias sob o risco de morte, e dois meses hospitalizada. Quase tem sua mão direita, a mais afetada, amputada pelos médicos. O acidente mudaria em definitivo a vida de Clarice Lispector.

As inúmeras e profundas cicatrizes fazem com que a escritora caia em depressão, apesar de todo o apoio recebido de seus amigos. O ano de 1967 não foi só um ano de acontecimentos ruins. Começa a publicar em agosto - a convite de Dines - crônicas no "Jornal do Brasil", trabalho que mantém por seis anos. Lança o livro infantil O mistério do coelho pensante, pela José Álvaro Editor. Em dezembro, passa a integrar o Conselho Consultivo do Instituto Nacional do Livro.

Em maio de 1968, o livro O mistério do coelho pensante é agraciado com a "Ordem do Calunga", concedido pela Campanha Nacional da Criança. Entrevista personalidades para a revista "Manchete" na seção "Diálogos possíveis com Clarice Lispector". Participa da manifestação contra a ditadura militar, em junho, chamada "Passeata dos 100 mil". Morrem seus amigos e escritores Lúcio Cardoso e Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta). É nomeada assistente de administração do Estado. Profere palestras na Universidade Federal de Minas Gerais e na Livraria do Estudante, em Belo Horizonte. Publica A mulher que matou os peixes, outro livro infantil, ilustrado por Carlos Scliar.

No ano de 1969 publica seu "hino ao amor": Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, pela Editora Sabiá. O romance ganha o prêmio "Golfinho de Ouro", do Museu da Imagem e do Som. Viaja à Bahia onde entrevista para a "Manchete" o escritor Jorge Amado e os artistas Mário Cravo e Genaro. Em 14 de agosto é aposentado pelo INPS - Instituto Nacional de Previdência Social. Seu filho Paulo, mora nos Estados Unidos desde janeiro, num programa de intercâmbio cultural. Seu irmão Pedro, em tratamento psiquiátrico, esteve internado por um mês em junho.

Fonte: Releituras

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